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1 05/02/2018 11:29

Estrela de Kill Bill e Pulp Fiction, a atriz Uma Thurman falou pela primeira cez sobre o assédio sexual que sofreu após o sucesso de Pulp Fuction. O agressor de Thurman era o produtor Harvey Wenstein, pivô do levante hollywoodiano contra o assédio sexual na indústria do cinema.

O relato da atriz faz parte de uma longa entrevista ao The New York Times, concedida cerca de três meses depois de ela dar uma entrevista no tapete vermelho em que dizia estar esperando ficar com menos raiva para dizer o que queria.

Ao The New York Times, a atriz contou que a primeira investida do produtor aconteceu em um hotel em Paris, em 1994, quando o produtor, vestido de roupão, sugeriu que os dois terminassem uma conversa sobre um um novo roteiro em um uma sauna.

Após várias recusas por parte da atriz, Harvey teria ficado frustrado e deixado o espaço reclamando. Pouco depois, em Londres, o produtor voltou a chamá-la para uma reunião em seu hotel. Na ocasião, ela levou uma amiga e tentou remarcar a conversa para o bar do hotel, mas Harvey e seu assistente convenceram-a a aceitar a reunião no quarto. "Ele me empurrou, tentou me agarrar, tentou se expor. Fez tudo de mais desagradável, mas não chegou a me estuprar. Você fica como um animal se desvencilhando, como um lagarto. Fiz de tudo para colocar o trem de volta aos trilhos. Os meus trilhos. Não os dele", revelou.

Thurman revelou que a relação com Weinstein nunca foi a mesma após isso, que apenas convivia com o produtor. Ela apontou ainda que falou sobre o assédio a Quentin Tarantino, que a dirigiu em vários filmes produzido por Harvey. Inicialmente, o diretor teria visto a situação apenas como "Harvey tentando pegar uma atriz que era boa demais pra ele", mas ao perceber a gravidade teria cobrado o produtor sobre o caso, o que gerou um pedido de desculpas por parte de Weinstein, em 2001, no Festival de Cannes.

“Eu tenho um sentimento complicado por Harvey e que é muito ruim depois de ouvir sobre tantas mulheres que foram atacadas depois de mim” revelou. “Quentin [Tarantino] chamou Harvey para ser o produtor de ‘Kill Bill’, um filme que simboliza o empoderamento feminino. E tudo isso foi por água abaixo, porque eles acreditavam que ninguém faria nada de errado, mas eles fizeram.”

O relato, no entanto, não para em Weinstein. Tida como amiga pessoal de Tarantino, a atriz descreveu seu trabalho no set de Kill Bill como uma forma de abuso, mesmo que não sexual. Ela se acidentou durante a gravação por conta de exigências descabidas da equipe. A famosa cena em que ela dirige um Karman Ghia em alta velocidade para matar Bill a deixou com o pescoço e o joelho machucados. 

O carro, que havia sido morificado, não era seguro para ser conduzido na velocidade exigida. Durante a filmagem, o carro perdeu a direção e bateu em uma palmeira. O vídeo inédito do acidente foi divulgado só agora pelo jornal e mostra o início da cena e a colisão. Thurman aparece com o torso contorcido, enquanto membros da equipe tentam retirá-la do carro. Tarantino também aparece nas imagens.

"Quando eles se viraram contra mim após o acidente, eu fui de colaboradora criativa [como Tarantino a chamava no lançamento de ‘Kill Bill’] a uma ferramenta quebrada", observa a atriz. "O que me afetou mesmo quanto ao acidente foi sentir que tinha sido agredida de tal forma que ficara vulnerável." 

Thurman conta que passou os últimos 15 anos brigando para que a Miramax, produtora dos irmãos Weinstein, liberasse as imagens das filmagens que provassem que o acidente realmente havia acontecido.

Correio







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