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1 27/12/2017 16:10

Salvador concentra quase a metade do número de feminicídios registrados no estado. Dos 49 registros feitos pela Polícia Civil em 2017, 22 foram na capital baiana, ou seja, 44,9%. O dado foi revelado na manhã desta quarta-feira (27) durante apresentação do balanço anual da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA). 

Segundo o titular da pasta, Maurício Barbosa, ressaltou que dos casos que ocorreram na capital foram todos elucidados, e apenas um dos suspeitos não foi preso. Questionado, ele disse que não há subnotificações deste tipo de crime de estado e que a partir do momento em que este tipo de agravante foi tipificado pela legislação a polícia civil passou a fazer os registros do crime de acordo com a nova norma. "O que acontece é que quando não se sabe qual a motivivação do crime ele é tipificado como homicídio", apontou.

Em entrevista ao CORREIO, a promotora do Ministério Público da Bahia (MP-BA), Márcia Teixeira, apresentou um posicionamento diferente do secretário. "O que a SSP oferece não corresponde à realidade. Feminicídio não acontece somente nos casos de violência doméstica e familiar, mas nos casos em que as mortes acontecem em razão da condição do sexo feminino. O outro, segundo a Lei, é quando o crime envolve menosprezo ou discriminação da mulher", explicou. 

Maurício Barbosa citou as ações de proteção da Ronda Marinha da Penha, que atende 1.733 mulheres em medida protetiva nos municípios de Salvador, Feira de Santana, Juazeiro, Paulo Afonso, Vitória da Conquista, Barreiras, Ilhéus, ITabuna e Senhor do Bonfim como uma ação eficaz. 

Recorde

Durante a coletiva para a imprensa, o secretário chamou a atenção para as apreensões recorde de drogas (16 toneladas) e de armamentos  pesados. Somente fuzis foram 27, contra 7 no ano passado, e 5.089 armamentos em geral. "Esse é o retrato de como o combate nas nossas fronteiras tem que ser mais eficaz" O secretário criticou a queda de ações e recursos investidos pelo goveno federal na segurança pública.

Ele atribuiu os resultados positivos aos esforços próprios da Secretaria, dos grupamentos especializados, seja em investimentos em inteligência, ou em parcerias com outras Secretarias de Segurança Pública e a uma parceria realizada com as Polícias Federal e Rodoviária Federal. 

Embora os Crimes Violentos Letais Intencionais (homicídios, latrocínios e morte seguida de lesão corportal). Na capital houve um aumento de 2,73%, com 37 homicídios. "Em Salvador estávamos há seis anos com variações negativas, desde a criação do Pacto Pela Vida. Esse aumento de 2.73% se deve muito pela dinamica do tráfico, das brigas entre as próprias facções e a prisão dos líderes do tráfico que mudou a dinâmica dessas facções", justificou Barbosa. 

Criminalidade precoce

Até o Natal foram 9.511 adolescentes apreendidos no estado e o ano deve fechar com dados semelhantes ao do ano passado, quando pouco mais de dez mil estiveram na mesma situação na Bahia. Segundo o titular da pasta, Maurício Barbosa, o fato se deve a um envolvimento cada vez mais precoce com o tráfico de drogas, aliado a outro motivos. "Há uma fragilidade na nossa legislação, que permite que o adolescente saia sem o mínimo de prestação legal, sem que se efetive uma melhora comportamental", apontou. 

Ele também chamou a atenção de que a prevenção de delitos cometidos por crianças e adolescentes se deve a outras esferas do poder público e que é preciso oferecer opções de educação e lazer que mantenham o jovem ocupado no contraturno na escola, evitando que eles entrem para a criminalidade.  

Correio
Foto: Divulgação/ SSP-BA







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