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1 26/10/2017 12:00

As emissões brasileiras de gases do efeito estufa aumentaram 8,9% entre 2015 e 2016. É o segundo ano consecutivo de crescimento -o maior desde 2004- e, mais uma vez, desmatamento e agropecuária pesaram na conta.

Os dados fazem parte do Seeg (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa) e foram divulgados nesta quarta (25) pela ONG Observatório do Clima.

O Brasil emitiu 2,3 bilhões de toneladas de gás carbônico em 2016. Em 2017 havia liberado na 2,1 bilhões. O aumento é o maior dos últimos 13 anos e representa a emissão mais alta desde 2008.

A elevação se deu principalmente pelo aumento do desmatamento entre 2015 e 2016. Entre 2016 e 2017, porém, dados recentes do governo apontam redução do desmate.

A protagonista nas emissões brasileiras continua sendo a agropecuária, responsável por cerca de 74% dos gases-estufa. A área apresentou um crescimento de 1,7% entre 2015 e 2016.

A emissão agropecuária é dividida em direta (22%) e por "mudança de uso da terra" –o que geralmente significa desmatamento– (51%).

Todas as outras fontes de emissão analisadas no Seeg (energia, processos industriais e resíduos) apresentaram redução na taxa de liberação de gases. Uma das explicações para o crescimento de emissão da agropecuária é a crise.

Segundo Cirino Costa Junior, da ONG Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), as dificuldades econômicas levaram as pessoas a consumir mais carne suína e de frango e menos carne bovina.

Isso faz com que os abates caiam e um maior rebanho fique no campo e o os animais produzam gases estufa durante a digestão. Em 2016, o Brasil contava com um gado bovino de cerca de 200 milhões de cabeças.

FERTILIZANTES

Outro fator importante foi o crescimento do consumo de fertilizantes nitrogenados, que resultam na produção de um gás-estufa quase 300 vezes mais potente que o CO2).

"Já foram investidos R$ 20 bilhões no programa de agricultura de baixo carbono, só que não sabemos o impacto disso. Se monitorássemos esses produtores, poderíamos abrir mercados para eles [como produtos diferenciados]", afirma Costa Junior.

"Se zerarmos as emissões da agropecuária, teríamos emissões líquidas zero no Brasil", afirma Tasso Azevedo, coordenador do Seeg.

Outro ponto que foi analisado, foram os solos degradados, pois eles emitem CO2.

No país, há 175 milhões de hectares de pastagens, dos quais 45 milhões estão degradados –uma área equivalente à Espanha, segundo Costa Junior.

O especialista afirma que os produtores perdem oportunidades econômicas ao não cuidarem dessas áreas.

Ele afirma que o custo para recuperação e manutenção é de cerca de R$ 2 mil anuais por hectare e que isso possibilitaria a triplicação da produção de carne, o que compensaria os gastos.

Além disso, há chance de utilização dessas áreas para outras atividades, como florestas plantadas –voltadas para celulose, por exemplo.

Contudo, ainda há dificuldades para acompanhamento dessas possibilidades.

"Na área agrícola há algumas metas, como, por exemplo, recuperar 15 milhões de hectares de pastagem degradada. Nós não temos quanto era, temos apenas uma estimativa, e também não temos o quanto está sendo recuperado. Nós não temos os sistemas implementados para monitorar", afirma Azevedo.

"Nós temos a tecnologia já desenvolvida na Embrapa e outros centros de pesquisa. Não tem que inventar nada. É só juntar as pecinhas. Isso precisa de um tomador de decisão consciente e, infelizmente, no momento que estamos vivendo, estamos em uma política dos favores. Então não tem lógica nenhuma, é toma lá dá cá", diz André Ferretti, coordenador do Observatório do Clima.

Outro ponto é que o aumento das emissões foi verificado em momento de crise, no qual, normalmente, se espera diminuição de emissões.

ENERGIA

No setor de energia houve diminuição de 7,3% nas emissões –o que também poderia ser explicado pela crise econômica.

Contudo, essa queda no setor também se relaciona com o aumento da utilização de energias renováveis, como eólica e solar.

"A energia eólica, apesar da recessão, gerou milhares de empregos no Brasil. Quem investiu, está ganhando dinheiro. A saída do vermelho está no verde", diz Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima. Com informações da Folha press.

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