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1 23/12/2016 13:10

Quando crianças e adolescentes em férias se aglomeram em ambientes fechados, a alternativa é o uso de aparelhos eletrônicos. No entanto, a utilização indevida e excessiva desses equipamentos pode causar problemas na aprendizagem ou comportamentais. “Os pequenos deixam de brincar ao ar livre e com outras crianças ficando mais solitários e dessa forma pode apresentar quadro de ansiedade, déficit de atenção e baixa tolerância à frustrações”, explicou a neuropediatra Renata Episcopo.

A dona de casa Zerilda Araújo contou que seu filho Matheus, de 11 anos aumentou a miopia por conta do uso excessivo do computador. “Ele fica horas na frente da tela jogando e nas redes sociais que esquece do mundo. Reclamo com ele, mas não adianta”, disse. Ela revelou que, procurou uma oftalmologista que a informou de que isso acontece porque as pessoas tendem a aproximar ainda mais o aparelho dos olhos.

“Qualquer uso excessivo pode ser prejudicial e até se agravar com a abstinência do computador”, observou a neuropediatra, advertindo que para se ter um apropriado desenvolvimento neuropsicomotor é necessário que a criança tenha uma recreação ao ar ambiente experienciando formas, cheiros e texturas diversas, além do brincar com outras crianças. “Essas atividades quando ocorrem na maior parte do tempo da criança promovem o desenvolvimento adequado de suas emoções, além de suas habilidades cognitivas e motoras”, explicou.

Zerilda Araújo revelou que sabe que a ferramenta pode ser prejudicial à saúde, mas a usa como um apetrecho para manter o filho em casa. “Hoje em dia, não podemos mais facilitar com nossos filhos na rua, pois a violência e as drogas estão por toda parte. Prefiro que ele esteja em casa, mesmo que usando o computador sempre”, afirmou. Segundo a médica, “os eletrônicos devem ser usados com cautela uma vez que a criança está em fase de desenvolvimento e necessita de outras atividades para desenvolver suas potencialidades”.

Uma estudante que não quis se identificar disse que recorre às tecnologias para acalmar a filha de cinco meses. “Coloco vídeos no celular para ela assistir. Ela gosta tanto que segura o aparelho telefônico e não deixa ninguém pegar”, contou. A pediatra Ciria Santos advertiu que nessa idade não é recomendável o uso de smartphone. “O ideal é usar o aparelho por períodos de, no máximo, 15 minutos e as crianças entre três e sete anos não podem jogar ou brincar no smartphone por mais de 30 minutos diários”, esclareceu.

Outro problema que o uso de aparelho telefônico pode causar é a dificuldade para dormir. “Desligar o celular ou mantê-lo fora do quarto na hora de dormir pode ser uma saída, pois as luzes que ficam acesas interferem na produção de hormônios que ajudam a dormir, como a melatonina”, explicou a pediatra.

Tribuna da Bahia







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