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1 01/12/2015 16:20

A Aids não vê idade, gênero ou opção sexual. Desde quando foi descoberta, na década de 80, foram registrados 757 mil casos da doença no Brasil. Apesar de controlada, o Ministério da Saúde notifica 39 mil novos casos da doença ao ano, e está preocupado com o aumento do número de casos entre o público jovem, que apresentou maior taxa de detecção do vírus – passando de 9,6 por 100 mil habitantes, em 2004, para 12,7 por 100 mil pessoas em 2013.

“A geração que hoje tem entre 15 e 24 anos é aquela que não conviveu com o período em que a doença era mais preocupante, quando as taxas de mortalidade eram muito altas. Isso leva a uma despreocupação com o vírus e com o uso do preservativo”, afirma a médica epidemiologista Inês Dourado, professora do Núcleo de Ensino e Pesquisa em Aids e outras Doenças Infecciosas do Instituto de Saúde Coletiva da Ufba.

A ocorrência da doença na década de 1990 chocou o mundo. A morte de grandes ídolos da música, como os cantores Cazuza, Freddie Mercury e Renato Russo, todos vítimas da Aids, fez a sociedade discutir o tema e pressionar os governos por avanços no tratamento.

O jogador de basquete da NBA Magic Johnson também anunciou que possuía o vírus, no mesmo período, e se tornou um porta-voz do sexo seguro e da prevenção contra o HIV. Também militante no combate à doença, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, contraiu o vírus em uma transfusão de sangue contaminado e morreu em 1997. Betinho era portador de hemofilia, doença caracterizada por problemas de coagulação do sangue.

Sem proteção

A maioria dos brasileiros (94%) sabe que a camisinha é a melhor forma de prevenção das DST e Aids. Mesmo assim, 45% da população sexualmente ativa do país não usou preservativo nas relações sexuais casuais entre janeiro e dezembro de 2014, segundo a Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas na População Brasileira publicada em janeiro deste ano.

“Tem uma parte da população jovem que não usa o preservativo e não quer usar”, explica o médico epidemiologista e diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde , Fábio Mesquita. Segundo ele, o crescimento de casos entre os jovens é um problema global. “É um desafio para o mundo”.

Mesmo não vivendo os anos 90, os jovens que pulam Carnaval certamente conhecem a música Camisinha, composta por Carlinhos Brown, que fala sobre a importância do uso do preservativo: “Respeite o amor. Respeite o sexo. Proteja sua vida. Salve muitas vidas. Use camisinha”, recomenda.

Tratamento: portadores do vírus vivem mais e melhorO Brasil travou várias batalhas para ampliar o acesso ao tratamento, principalmente no que diz respeito às patentes dos medicamentos contra o vírus HIV. O resultado da política de acesso aos medicamentos é evidente.

Após as vitórias contra as indústrias farmacêuticas, os antirretrovirais - medicamentos para impedir a multiplicação do vírus no organismo - foram classificados como direito humano para todos os portadores da doença.

O total de pacientes com acesso ao tratamento no país mais do que dobrou entre 2005 e 2014, passando de 165 mil, em 2005, para 400 mil, em 2014. Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece, gratuitamente, 22 medicamentos para os pacientes soropositivos. Desse total, 12 são produzidos no Brasil. Como resultado disso, o coeficiente de mortalidade por Aids caiu 13% nos últimos 10 anos, passando de 6,4 casos de mortes por 100 mil habitantes (2003) para 5,7 casos (2013). Ao ser diagnosticado, o paciente deve realizar o tratamento adequado para impedir que o vírus avance no organismo e comprometa o seu sistema imunológico. Sem isso, um simples resfriado pode se tornar um problema.

Por outro lado, quem toma a medicação corretamente pode passar o resto da vida sem que a doença se manifeste. “Com o tratamento correto, os portadores de HIV podem ter melhor qualidade de vida do que diabéticos e cardiopatas”, conta o infectologista Fernando Badaró.

Risco de contrair HIV está no comportamento

Nos primeiros anos de descoberta da doença, foram definidos alguns “grupos de risco” para caracterizar os mais expostos ao HIV. Atualmente, não se fala mais de um grupo, mas, sim, em comportamento de risco.

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS) existem populações-chave que, devido a comportamentos de alto risco específicos e ao contexto de vulnerabilidade social onde estão inseridos, acabam sendo mais expostos ao vírus que causa a Aids. “Essas populações vivem em um contexto que reúne uma série de condições, principalmente sociais, onde a prevalência do vírus ainda é alta. Ao descobrirem ou desconfiarem que estão com o vírus, muitos evitam a ida aos postos de saúde por medo do preconceito e estigma que a doença traz, atrasando o tratamento”, revela a médica epidemiologista Inês Dourado.

Já para o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, não deve mais haver distinção entre grupos de risco e não risco. Segundo o órgão, o número de heterossexuais infectados por HIV tem aumentado proporcionalmente com a epidemia nos últimos anos, principalmente entre mulheres, por exemplo. É considerado comportamento de risco qualquer “relação sexual (homo ou heterossexual) com pessoa infectada sem o uso de preservativos, compartilhamento de seringas e agulhas, principalmente, no uso de drogas injetáveis, reutilização de objetos perfurocortantes com presença de sangue ou fluidos contaminados pelo HIV”, indica.

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