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20/07/2026 16:11

A prática é bastante comum em diversas cidades do Nordeste, principalmente durante o verão e períodos de férias escolares.

Pular de pontes diretamente em rios é uma cena comum em diversas cidades do Nordeste, principalmente durante o verão e períodos de férias escolares. A prática, vista por muitos como uma brincadeira ou demonstração de coragem, reúne crianças, adolescentes e adultos em pontes sobre rios, açudes e barragens. Apesar de fazer parte da cultura de várias comunidades ribeirinhas, especialistas alertam que o hábito pode resultar em lesões permanentes e até mortes.

O principal perigo está nas condições da água. A profundidade do rio pode variar rapidamente em razão da seca ou das chuvas, além da existência de bancos de areia, troncos, pedras, galhos e outros obstáculos submersos. Um mergulho aparentemente seguro pode terminar em traumatismos cranianos, fraturas na coluna cervical, afogamentos ou politraumatismos. Hospitais brasileiros registram frequentemente pacientes que ficam tetraplégicos após mergulhos em locais desconhecidos. Especialistas recomendam nunca mergulhar de cabeça em águas cuja profundidade não seja conhecida.

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, não existe uma lei federal que proíba genericamente pular de pontes para mergulho. No entanto, a prática pode ser restringida por legislações municipais, normas estaduais ou pela administração responsável pela estrutura. Além disso, se o salto ocorrer em ponte destinada ao tráfego de veículos, ferrovias ou em locais sinalizados como área de risco ou de acesso proibido, o praticante poderá responder por infrações administrativas e, dependendo da situação, colocar a própria vida e a de terceiros em risco.

Nos últimos anos, acidentes graves chamaram a atenção para esse tipo de prática. Em janeiro de 2023, o adolescente João Vitor da Silva, de 14 anos, morreu após saltar de uma ponte sobre o Rio São Francisco, entre os municípios de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE). O jovem desapareceu após o mergulho e foi encontrado sem vida pelo Corpo de Bombeiros horas depois. Outro episódio de grande repercussão ocorreu em abril de 2022, em Paulo Afonso (BA), onde um jovem sofreu traumatismo grave ao saltar de uma ponte e atingir uma área rasa do rio. A vítima precisou ser socorrida em estado grave e encaminhada para atendimento especializado após sofrer lesões na coluna.

Em praticamente todos os estados nordestinos é comum encontrar pontes transformadas em pontos de lazer improvisados durante os fins de semana. Em cidades banhadas pelo Rio São Francisco, Rio Parnaíba, Rio Jaguaribe e diversos outros cursos d'água, moradores costumam utilizar as estruturas como trampolins naturais, muitas vezes sem qualquer equipamento de segurança ou fiscalização.

Corpo de Bombeiros, profissionais de saúde e especialistas em traumatologia orientam que a população evite saltos de pontes, principalmente em locais sem sinalização, sem conhecimento da profundidade e da força da correnteza. Mesmo quando o rio parece cheio, alterações no relevo submerso podem provocar impactos violentos, capazes de causar sequelas permanentes em poucos segundos ou até mesmo fatalidades, como as descritas acima.

 

Da Redação CSFM
 
 
 
 







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