Estudantes apontam problemas na merenda, falta de professores, manutenção e estrutura da unidade inaugurada em novembro de 2025
Inaugurado pelo Governo da Bahia em novembro de 2025 como parte da expansão da rede de escolas em tempo integral, o Colégio Estadual Professor Clóvis Ezequiel, em Santo Antônio de Jesus, passou a ser alvo de cobranças após estudantes realizarem uma manifestação por melhorias na unidade. Menos de um ano após a entrega do colégio, alunos deixaram as salas de aula e percorreram as ruas do município para apresentar reivindicações relacionadas à falta de professores, qualidade da merenda, manutenção da estrutura, segurança e apoio pedagógico.
A manifestação, realizada na manhã desta segunda-feira (20), evidencia que a entrega de uma nova estrutura física não garante, por si só, o funcionamento completo de uma escola. Um espaço adequado precisa estar acompanhado de profissionais disponíveis, manutenção contínua, alimentação escolar e suporte pedagógico para atender às necessidades da comunidade escolar.
A própria resposta apresentada pelo Núcleo Territorial de Educação 21 (NTE 21) revelou parte das dificuldades apontadas pelos estudantes. Após o protesto, a direção do órgão informou que houve um atraso no repasse das verbas destinadas à manutenção da unidade, mas afirmou que o recurso, que ainda não estava disponível, já havia sido liberado. Segundo o NTE, materiais para a escola também já estavam providenciados e a equipe de nutrição acompanha a unidade para ampliar e melhorar o cardápio da merenda escolar. O órgão informou ainda que a empresa responsável pela construção retornaria ao colégio para realizar reparos na estrutura do prédio (Veja aqui).
A sequência dos acontecimentos também levanta questionamentos sobre o acompanhamento da unidade após sua entrega. A manutenção preventiva de uma escola, a oferta de alimentação adequada e a reposição de profissionais fazem parte das ações permanentes necessárias para o funcionamento da rede pública de ensino e precisam ser conduzidas de forma contínua.
Durante a apresentação das respostas, a direção do NTE 21 também mencionou a depredação do patrimônio escolar por parte de alguns estudantes. Segundo o órgão, portas, maçanetas, descargas, disjuntores e outros equipamentos foram danificados. Além de gerar prejuízos, o vandalismo compromete os próprios alunos, pois recursos que poderiam ser investidos em melhorias acabam sendo destinados à recuperação de danos que poderiam ser evitados. Preservar a escola é preservar um patrimônio que pertence à própria comunidade.
Outro aspecto relacionado à estrutura da unidade envolve a manutenção do prédio. O NTE informou que a empresa responsável pela obra retornará para corrigir problemas relacionados ao telhado, ventilação, drenagem e outros itens identificados durante vistoria técnica. O anúncio ocorre poucos meses após a inauguração oficial da escola, o que gera questionamentos sobre o acompanhamento dos serviços realizados e a necessidade de reparos em uma unidade recém-entregue.
A manifestação dos estudantes evidencia que os desafios de uma escola pública não terminam com a entrega de um novo prédio. No caso do Colégio Professor Clóvis Ezequiel, inaugurado há poucos meses, as cobranças apresentadas pelos alunos mostram que questões como professores, manutenção e serviços básicos precisam ser acompanhadas de forma permanente.
Mais do que construir escolas, é necessário garantir que elas funcionem plenamente no dia a dia, com planejamento, recursos e profissionais suficientes para atender aos estudantes e entregar, na prática, aquilo que se espera de uma unidade anunciada como investimento para melhorar a educação.
Redação: Vale FM












