De acordo com médicos da unidade, eles estão há pelo menos três meses sem salário.
A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) se pronunciou oficialmente apenas após meses de denúncias sobre atrasos salariais, falta de materiais e impasses contratuais no Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães (HRDLEM), em Porto Seguro.
Desde o início da crise, médicos e outros profissionais vinham relatando dificuldades para receber pelos serviços prestados, além da escassez de insumos que, segundo eles, compromete o funcionamento da unidade. O problema foi amplamente noticiado nas últimas semanas, sem que houvesse um posicionamento oficial da pasta estadual.
A manifestação da Sesab ocorreu somente depois da repercussão das reportagens sobre a situação enfrentada pelos trabalhadores, enquanto o hospital se prepara para inaugurar uma nova ala de atendimento.
Segundo relatos dos médicos, há profissionais que acumulam cerca de três meses sem receber pelos serviços prestados. A situação se agravou durante a transição da administração da unidade, que deixou de ser gerida pelo Instituto Setes e passou para a organização social S3.
Além da falta de pagamento, os profissionais afirmam que ainda não assinaram contratos com a nova gestora. De acordo com a categoria, a proposta apresentada prevê a retenção de 16% dos honorários médicos para a administração da empresa, percentual considerado elevado pelos trabalhadores, que afirmam que a média praticada nesse tipo de contrato é de aproximadamente 8%.
Outro ponto citado pelos profissionais é a falta recorrente de medicamentos, insumos e materiais básicos, situação que, segundo eles, afeta diretamente o atendimento aos pacientes.
Somente após a repercussão pública do caso, a Sesab informou que está acompanhando a transição da gestão e garantiu que nenhum trabalhador deixará de receber os valores referentes às rescisões trabalhistas dos vínculos mantidos com o Instituto Setes.
De acordo com a secretaria, 68% dos trabalhadores da antiga gestão já receberam os direitos e verbas rescisórias, enquanto os pagamentos dos 32% restantes seguem em processamento. A pasta informou ainda que está adotando medidas administrativas em conjunto com a S3 para regularizar os fluxos financeiros e assegurar a continuidade dos serviços.
Apesar da nota oficial, o posicionamento do governo ocorre após um longo período de cobranças por parte dos profissionais e de sucessivas denúncias sobre a situação do hospital. Para os médicos, a resposta veio tardiamente diante de uma crise que já se arrasta há meses e que envolve não apenas atrasos salariais, mas também dificuldades estruturais que continuam sendo relatadas diariamente.
O espaço permanece aberto para manifestação da organização social S3 sobre as críticas relacionadas à retenção dos honorários médicos e às negociações contratuais com os profissionais da unidade.
Da Redação CSFM











