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1 10/04/2015 09:19

A seleção brasileira de judô faz a fase final de preparação para o Pan-Americano 2015 no Centro Pan-Americano de Judô (CPJ), em Lauro de Freitas, desde terça-feira. A competição será disputada em Edmonton, no Canadá, de 22 a 26 deste mês. O treinamento reúne até domingo os 18 judocas que vão representar o país, entre eles Tiago Camilo, Rafael Silva, Sarah Menezes e a atual campeã mundial da categoria meio-pesado Mayra Aguiar.

A gaúcha de 23 anos, bronze nos Jogos de Londres-2012 e recordista brasileira de medalhas em mundiais, com quatro, se recuperou das cirurgias no joelho e cotovelo no ano passado e agora está focada em duas competições: o Pan de Toronto, em julho, e a Olimpíada do Rio, em 2016. Na entrevista, Mayra fala também sobre a possibilidade de trocar o judô pelo MMA. É só conferir.

Como você encara o Pan-Americano que vai disputar este mês?

É uma competição dura pra mim. Vou enfrentar uma das minhas principais adversárias, que é a americana, atual campeã olímpica, Kayla Harrison. Estou voltando de uma lesãozinha no joelho, que tive há umas três semanas, mas estou trabalhando bastante a cabeça e a técnica.

O que está achando de treinar aqui no CPJ?

É bom juntar a equipe e gostei de conhecer o centro de treinamento, que eu ainda não conhecia. A estrutura ficou bem legal. Os alojamentos ainda não estão prontos, estamos em um hotel, mas estou muito feliz por ter um ambiente assim pra gente poder treinar e fazer eventos.

Como foi superar duas cirurgias em 2014?

Essa aí foi uma das mais fortes cirurgias que eu já passei, porque foram duas de vez. Praticamente virei criança de novo porque precisava de ajuda pra tudo. Foi no começo de 2014 e eu tinha o Mundial pra lutar em sete meses. Tive pouco tempo para treinar e eu estava agoniada, porque não se sabe como vai voltar, se vai conseguir competir outra vez como competia. Acabou dando tudo certo.

Apesar do pouco tempo de treino, você foi campeã mundial. O que foi fundamental?

Foi puramente superação. Eu não estava 100% porque não consegui ter ritmo de competição nem consegui treinar muito tatame. Então foi basicamente parte física, que eu fiz muito. Estava na melhor forma física. A parte psicológica contou muito naquela hora. Estava com a cabeça muito boa porque cheguei (na Rússia) com muita vontade de ganhar o Mundial. Tinha traçado todo o plano para chegar à final e ganhar, já estava certa do que iria fazer. É uma competição forte que levo de espelho para outras.

O recorde de medalhas em mundiais traz uma responsabilidade maior nas competições?

A pressão sempre existiu e acho que com esse título de campeã mundial vai chegar ainda mais forte, mas já estou acostumada com isso desde que entrei na seleção. E a minha pressão interna, a minha cobrança, é muito maior. Eu odeio perder.

2014 foi de superação. Como projeta 2015 e 2016?

O ano de 2015 vai ser de mais estudo. Quero manter ritmo de competição, quero ganhar os Jogos Pan-Americanos, pois ainda não tenho esse ouro e só acontece de quatro em quatro anos. E tem o Mundial também. É o ano de estudar as adversárias em competições grandes e me estudar. Tudo que for feito agora vai dar resultado lá na frente. Em 2016, o foco é totalmente na Olimpíada. É um ano psicológico. A cabeça tem que estar bem. Minhas melhores competições foram em períodos em que eu estava feliz.

Você ainda não venceu o Pan. O que esse ouro significa?

Significa muito. Eu sou muito chata com essas coisas. Tenho o bronze e a prata, está faltando o ourinho pra fechar. Tracei objetivos e cada vez mais eu busco alguma coisa.

E o ouro olímpico no Rio?

Na Olimpíada eu tenho um bronze e já quero pular para o ouro. Prata não é o suficiente.

Cogita largar o judô após a Olimpíada para lutar MMA?

Não sei. Ainda tenho muita coisa pra fazer de judô. Tenho objetivos muito claros e vou até o corpo me permitir alcançá-los. Eu tenho 23 anos, mas estou nessa batida desde os 14, viajando, competindo, ficando fora de casa e é bastante desgastante. A luta de MMA é bastante dura, mas alguns amigos que migraram me disseram que o treino é mais tranquilo. Eu me animo em fazer coisas novas, mas vai depender dos meus objetivos e de como vai estar minha cabeça. Acho muito legal de assistir, mas teria que treinar pra ver se iria me adaptar. Dar uma porrada na cara de alguém é algo que nunca fiz.

Em 2007, você perdeu duas lutas para a ex-judoca Ronda Rousey, hoje sensação do MMA. Vontade de reencontra-la?

O problema é que ela sempre foi muito mais baixa que eu e a categoria dela agora é 61kg. Eu luto no 78kg. O máximo de peso que poderia tirar seria 70kg ou 68kg. Mas seria legal. Ela está passando o rodo nas gurias. Sempre teve um chão muito bom e aprendeu a trocação. Derruba fácil. 

 

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