Entretenimento

1 27/02/2017 09:00

O tapete branco da paz se estendeu na tarde deste domingo (26). Com o tema “Diáspora Africana... A Travessia Não me Abateu, Tornou-me mais Forte!”, o Afoxé Filhos de Gandhy, apoiado pelo projeto Ouro Negro,do Governo do Estado, realizou a sua tradicional saída do Largo do Pelourinho, levando a mensagem de paz, união e ancestralidade,através de suas vestimentas características – cores azul e branca, turbante, colares -, da musicalidade, e do alto astral e harmonia entre foliões de diferentes gerações, crenças e etnias.

Antes da saída em direção à Avenida, o afoxé realizou, no Largo do Pelourinho, o tradicional “Padê”, cerimônia originária das religiões de matrizes africanas. “Para nós significa uma oferenda ao Orixá escravo com o objetivo de sinalizar e mapear todo o circuito do Carnaval para que tudo corra bem. Essa energia retorna para nós e podemos a partir daí tocar a zabumba que a terra é nossa!”, explica Tio Souza, guru espiritual do Afoxé Filhos de Gandhy. “Nós não somos apenas uma entidade carnavalesca. Somos uma entidade representativa da cultura afro e da diversidade cultural e religiosa que há na Bahia”, complementa.

O tema do ano do Afoxé Filhos de Gandhy, Diáspora Africana, exalta a história do Povo Negro, que conseguiu manter viva a sua ancestralidade e se fortalecer diante das mazelas que marcaram a sua travessia. “Toda a questão de opressão colocada sobre as nossas costas não foi capaz de oprimir o nosso pensamento. Eles conseguiram explorar somente a nossa força física e capacidade de construir e fazer. Mas preservamos nossa história e demos a volta. Ainda há um longo caminho, mas estamos na guerra, o processo agora é nosso”, afirma o presidente do Afoxé, Francisco Lima, que defende a necessidade de conservar e exigir mais ações afirmativas.

Entre os que aguardavam a saída do Afoxé, se viam amigos, pais, filhos, pessoas de todos os perfis dividindo a animação e expectativa. O folião Delmiro Dias Ferreira, que sai com o Gandhy pelo sexto ano consecutivo, estava acompanhado do seu filho Lázaro, de oito anos. É o terceiro ano que o garoto participa do desfile. “Eu acho muito tranquilo vir com ele porque é um grupo que todo mundo respeita e sabe que o pessoal não é de violência. Aqui a gente brinca, faz amizades, é bem gostoso estar num grupo assim em que você se sente em família”, conta Delmiro. Já Lázaro resume o que gosta mais no bloco em poucas palavras, num “é divertido”, de forma um pouco tímida.

E dia de desfile dos Filhos de Gandhy também é dia de movimentar ainda mais a economia do Centro Histórico. Os foliões buscam caprichar o máximo possível no visual, se enfeitando com colares e adereços vendidos pelos pequenos comerciantes, e buscando uma ajudinha profissional para compor o turbante do bloco. Pelas ruas do Pelô, dezenas de turbanteiras e turbanteiros não param de trabalhar nem um minuto, tão grande é o fluxo de clientes. É o caso de dona Maria da Paixão, 59, a Neném, que já estava na função desde 6 horas de manhã e nem faz ideia de quantos foliões já atendeu. “Eu perco as contas, são tantos. Um vem, gosta do trabalho, aí já recomenda para os amigos, a gente perde a noção do tempo e do número. Eles são brincalhões, mas muito respeitosos”, conta ela, que trabalha acompanhada das filhas.

Ascom/Secult


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