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1 26/02/2017 09:30

O navio pirata da BaianaSystem, que costuma arrastar multidões por onde passa, pode não navegar no mar de gente do Carnaval de Salvador em 2018. Em mais uma apresentação no Furdunço, dessa vez no Circuito Osmar (Campo Grande), o líder da banda, Russo Passapusso, entoou o coro "machistas, fascistas, não passarão", além de dar início a um "Fora, Temer".

Russo foi acompanhado unanimemente por um público fervoroso que costuma vibrar ao som do verso "a mais de mil decibéis, virado numa goteira", da música Playsson. De acordo com o presidente do Conselho Municipal do Carnaval de Salvador (Comcar), Pedro Costa, o ato é considerado grave e pode render à banda uma punição proporcional.

"O código de ética é claro, é terminantemente proibido que o artista use o carnaval para denegrir alguém, como foi feito pelo Baiana System. Há um risco concreto de punição grave, que seria a exclusão deles", explicou o Pedro.

Ainda conforme o representante do Comcar, a comissão da ética vai se reunir logo após o Carnaval para assistir aos vídeos e avaliar a punição da banda. "Foi um ato de politicagem e eles não foram pagos para isso. Embora tenhamos muito orgulho de tê-los conosco nesta realização, é inaceitável e vai haver punição, sim. São 700 atrações envolvidas, se todos resolverem fazer isso, vira um palanque político", ressalta.

O presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), responsável pela organização do Carnaval, Isaac Edington, afirmou que é imaturo assumir qualquer posição sobre o assunto em pleno Carnaval 2017. "O nosso foco agora é realizar um evento extraordinário, como está sendo", salientou, acrescentando que é contra qualquer tipo de censura.

"Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo. Essa frase, atribuída a Voltaire, demonstra um pouco a forma como eu vejo esse assunto", disse ao CORREIO.

Cumprimentos e elogios às entidades públicas, como prefeito e governador, porém, não são vistos como infração, segundo afirmou Costa ao CORREIO. "Uma coisa é um cumprimento, um elogio, outra coisa é o artista usar a potência de som de um trio elétrico em um evento deste porte para levantar bandeiras políticas. Não caiu bem", completou ele, acrescentando que a Comcar teve conhecimento do fato na tarde deste sábado e ainda não notificou a banda.

O código de ética do Comcar prevê punições a níveis leves, graves e gravíssimos. "Racismo, por exemplo, seria uma punição gravíssima. Ou apologia à violência contra as mulheres", pontua o Pedro. O presidente do Comcar esclareceu que o fato da Baiana System ser patrocinada pela Prefeitura de Salvador não é um agravante para a punição e que, conforme o código de ética, qualquer entidade ou artista deve ser punido da mesma maneira, independente da origem do financiamento.

"É diferente da Mudança do Garcia, que é uma manifestação popular organizada. Eles tocam na política, mas eles não são um artista em cima de um trio fazendo isso, eu avalio que é totalmente diferente".

A BaianaSystem deve ser notificada após o Carnaval e terá o direito de recorrer da decisão da Comissão de Ética da Comcar. "Não é uma certeza que terão punição máxima. Podem receber uma advertência, por exemplo, por isso há esse estudo. Eles têm o direito de resposta, sim", finalizou.

Por meio de sua assessoria, a Baiana System informou que, por hora, não tem declarações a fazer. Ao CORREIO, os representantes da banda disseram que os músicos ainda não conversaram sobre o assunto pois estão se preparando para sua última apresentação no Carnaval - que acontece à meia noite deste sábado, no palco principal do Pelourinho.

Correio


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