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1 29/01/2018 12:44

Ser político, hoje, é uma das atividades que apresentam o maior risco, haja vista a providência inicial dos adversários na desconstrução de quem se atreva a colocar sua cara na reta de qualquer tipo de candidatura. Não precisa nem ser candidato a qualquer cargo eletivo, basta ser escolhido para ocupar qualquer tipo de cargo de confiança, que o cidadão passa a visto como um inimigo em potencial a ser batido.

Essas ações, de ordem negativa, de há muito são utilizadas por partidos antes ditos de esquerda, que a cada dia multiplicam as agressões aos inimigos, que os políticos de bom senso costumavam chamar de adversários. É a nova ordem dos que, não tendo propostas a apresentar, usam como estratégia. E isso com a complacência e ajuda de alguns meios de comunicação nacional.

Quando pensamos que já tínhamos visto de tudo, os absurdos se apresentam de maneira mais grotesca, fabricados para mudar a ordem dos acontecimentos que seriam dados ao conhecimento da sociedade. Lembro que nos governos militares e de José Sarney, de forma mais educada, tínhamos as crises (ainda não eram escândalos) de acordo com o dia de semana, principalmente na área econômica.

Agora, ao ler os jornais do fim de semana e da segunda-feira, um dos assuntos que me chamou a atenção pelo destaque, foi a denúncia feita pelo governador do Ceará, Camilo Santana (PT), atribuindo a chacina que matou 14 pessoas em Fortaleza ao governo do federal. Absurdo e ridículo, mas perfeitamente compreensível o comportamento por vir de quem vem, um governador petista.

Segundo o governador, o governo federal não tem em prática uma política pública de segurança, daí os desmandos que estão acontecendo na área de segurança pública em seu estado. Basta ver na Constituição Federal que a segurança pública é um dever do Estado – cada um ente federativo com sua responsabilidade –, e pelo que consta, não é de hoje nem de ontem que o povo do Ceará se encontra desprotegido.

Camilo Santana não deve ter dito isso enquanto sua companheira de partido, Dilma Rousseff, estava ocupando o Palácio do Planalto, e olha que de lá pra cá não deve ter havido nenhuma mudança substancial. Ao contrário, o próprio PT é que não tem como preceito a segurança do cidadão honesto e trabalhador, pelo contrário, privilegia a defesa do infrator, como temos vistos comumente.

De acordo com os estudos publicados por organismos de conceito, a união não investe o que deveria em segurança há muitos anos. É fato. E o governo federal diz que grande parte desses recursos não são repassados por culpa dos próprios estados, por não apresentarem projetos bem elaborados e que precisam passar por uma reestruturação, no caso dos presídios, para que sejam aprovados.

Se o governo apresenta esses dados, os divulgados na imprensa são de arrepiar qualquer simples mortal, principalmente na área de gestão financeira, com custos altíssimos por preso. E o que vemos são os detentos empilhados em ambientes nada apropriados para serem humanos, e embora as despesas com alimentação sejam de restaurantes de luxo, a boia está mais pra lavagem.

Em campanha, o governador está vendo e sentindo o encolhimento do seu partido após os sucessivos escândalos, iniciados com o mensalão, passando pela lava jato e outras tantas operações realizadas pelo Ministério Público e Polícia Federal. Daí o discurso, feito de encomenda, com a finalidade de eximir sua culpa (governo do estado) e impingi-la ao governo federal.

Todos têm sua parte de culpa, o governo do estado, pelo descaso com a aplicação dos recursos destinados à segurança pública, o governo federal com a diminuição em sua destinação, a começar pela elaboração do orçamento. Mas, para o governador Camilo Santana, fica muito mais fácil “bater” num governo enfraquecido pelo próprio PT, ao chamá-lo de golpista, embora tenha sido eleito pelo seu próprio partido.

É o arrependimento dos que fazem a política com o fígado, que elegem os amigos de ontem e os adversários de hoje em inimigos.

Radialista, jornalista e advogado.


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