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1 11/04/2017 16:40

Como diz o ditado: nem muito nem tão pouco. E essa antiga máxima vale muito para o que estão fazendo com o futebol brasileiro, condenado a ficar descaracterizado, caso apenas uma torcida assista aos jogos. Ora, se a todo o dia ouvimos que temos que viver em sociedade, qual o motivo de separarmos as torcidas, ou melhor, proibirmos de que uma delas, a visitante, não possa entrar no estádio para nos dias de jogos?

A depender do estádio, as despesas com um jogo de futebol pode custar até cerca de 50% do total arrecadado com o ingresso dos torcedores, comprometendo o lado econômico. Mas se esse fator é importante, o que poderíamos dizer do lado sentimental do torcedor de futebol, acostumado a vibrar com os lances do seu time? Do campo de pelada do mais longínquo bairro ao estádio do Maracanã, qual a graça? Nenhuma.

Mesmo nos dias de hoje futebol é paixão. E quando deixar de ser não terá mais motivo para ser praticado. Dentro de campo, o objetivo do futebol é fazer gols, ganhar o jogo; fora dele, é emocionar as pessoas com brilhantes jogadas, dribles desconcertantes. É com esse ânimo que o torcedor vai a campo ver e torcer pelos seus ídolos.

A adoção dessa medida extrema pelo Ministério Público em permitir que apenas uma torcida, a que tem o mando de campo, possa assistir aos jogos não resolve o problema de segurança dentro e fora dos estádios. Bandido é bandido, torcedor é torcedor. Não é de hoje que conhecemos a passagem bíblica que nos orienta a separar o joio do trigo, com a adoção de medidas punitivas aos infratores.

A lei está posta e vigente, faltando apenas quem as aplique com todo o rigor, de forma pronta, com a agilidade que se espera nas decisões judiciais. Já nos ensinava o mestre baiano Ruy Barbosa, que justiça tardia não é justiça, mas injustiça. Basta instalar todo o aparato do Judiciário e do Ministério Público nos estádios para julgar os delitos cometidos pelos baderneiros travestidos de torcedores.

Pelos os estudos apresentados pelas Polícias Civil e Militar – estas sempre presentes – a violência nos dias de jogos de futebol não está restrita à área interna dos estádios. Ela tem início na internet, os sites, blogs e outros veículos da rede social, incitando os membros das facções e torcidas organizadas para as brigas – na verdade, operações de guerrilha urbana, durante todo o trajeto de casa para os estádios.

Ainda voltando à Bíblia, o justo não pode pagar pelo pecador, sendo o torcedor de bem penalizado sem ter cometido qualquer tipo de delito. É contra a lei divina, é contra a lei dos homens. Outros países resolveram problemas deste tipo com políticas e atitudes enérgicas e eficazes, a exemplo da Inglaterra com a torcida do Liverpool, tanto é assim que "hooligans" é uma palavra quase em desuso.

No Brasil, a violência não se restringe ou "campeia" no futebol, pelo contrário, e disso o Ministério Público é conhecedor. A violência é uma presença nefasta na vida de qualquer cidadão, dentro e fora de casa. São as facções criminosas hoje as administradoras das torcidas organizadas em todo o país, como nos mostra os episódios mais recentes pela luta pelo poder dentro dessas organizações.

O que queremos – como cidadãos – é poder ir a um estádio de futebol, levando nossa família (como antes poderíamos fazer) e torcer pelo nosso time, vibrar com nossos ídolos, esgoelar com todos os pulmões o grito de gol. Se a desorganização (para ser bondoso) dos nossos cartolas não conseguiu acabar com o futebol, a proibição do ingresso de uma só torcida ao estádio matará, por inanição, a paixão do torcedor.

Não falei de Pelé, não falei de Garrincha, e não gostaria de pagar pra ver!


Jornalista, Radialista e Advogado.


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